Abstract
A obra propõe uma leitura crítica do Vale do Silício a partir do território, deslocando a atenção das narrativas sobre empreendedores excepcionais e empresas nascidas em garagens para as condições históricas e coletivas de produção da inovação. Universidades, financiamento público, contratos militares, redes profissionais, capital de risco e capacidades técnicas acumuladas são examinados como elementos constitutivos de um ecossistema que não pode ser reduzido a uma fórmula universal de sucesso. Ao mesmo tempo, o livro analisa a fabricação e a circulação internacional do mito Silicon Valley, as desigualdades do trabalho, os processos de gentrificação, a materialidade ambiental da economia digital e a concentração de poder nas plataformas. Seu objetivo é contribuir para políticas de inovação territorialmente situadas, especialmente no Sul Global, capazes de articular desenvolvimento tecnológico, fortalecimento das capacidades públicas e enfrentamento das desigualdades.