Abstract
Na perspectiva da Educação Popular, o presente artigo teve como objetivo compreender e problematizar os processos educativos desvelados pela prática da agricultura urbana realizada pelas Mulheres do GAU (Grupo de Agricultura Urbana). Na cidade de São Paulo, a periferia popular se consolidou em uma complexa realidade, na medida que o planejamento urbano não atendeu às suas demandas em diferentes momentos históricos. Esse contexto faz parte da realidade do coletivo com o qual esse artigo promoveu investigações e diálogos. A pesquisa é qualitativa e a metodologia adotada foi a pesquisa participante. A produção dos dados se deu por meio da observação participante, entrevistas semi-estruturadas e rodas de conversa. As informações foram interpretadas pela análise de conteúdo. Os resultados apontam o quanto as mulheres, por meio da agricultura urbana, pautam situações-limites e desumanizantes, como, a exclusão urbana, as discriminações de gênero e raça e os desafios do ser agricultora na cidade. E assim, anunciam processos educativos, tais como, o reconhecimento de suas vozes; a ampliação de suas leituras de mundo; a cooperação; as trocas de conhecimentos; o respeito com a natureza; e o reconhecimento do seu trabalho. Também reivindicam a humanização no trabalho. Espera-se ter contribuído para a compreensão da prática da agricultura urbana, aprofundando as discussões sobre as resistências e as lutas por qualidade de vida nas periferias populares.