Abstract
Este estudo foi motivado pela complexidade do envelhecimento populacional no Brasil e pelos desafios interseccionais de racismo, sexismo e etarismo enfrentados por mulheres negras líderes. O objetivo geral foi analisar a associação entre experiências de discriminação racial e profissional e a prevalência de ansiedade e/ou depressão, considerando a idade como dimensão relevante do processo de envelhecimento. A hipótese central sugeriu que mulheres negras em liderança com experiências de exclusão racial no trabalho apresentariam maior sofrimento psíquico autorreferido, com atenção especial às faixas etárias de 30 a 49 anos, nas quais se concentrou a maior parte dos relatos de invisibilidade profissional. A metodologia empregada foi quantitativa e transversal com análises estatísticas descritivas. As variáveis incluíram faixa etária, raça, autorrelato de invisibilidade profissional e diagnóstico mental de ansiedade/depressão (dependente). Os resultados revelaram uma significativa invisibilidade profissional entre mulheres negras, com predominância numérica em mulheres pretas, especialmente entre 30 e 49 anos; entre mulheres pardas, os percentuais devem ser interpretados com cautela em razão do menor tamanho amostral. A invisibilidade profissional revelou-se um fenômeno transversal, presente tanto entre participantes com diagnósticos clínicos quanto entre aquelas sem registro de transtorno mental formal. Esse achado sugere que o apagamento interpessoal e institucional opera como um estressor psicossocial constante. As considerações finais reforçam que o racismo e o sexismo impactam profundamente a saúde mental dessas líderes, sublinhando a urgência de políticas públicas e corporativas eficazes.