Abstract
Este artigo propõe um modelo de precificação para estruturas de pagamento contingente em fusões e aquisições no mercado brasileiro, tratando o earnout como opção de compra europeia sobre o desempenho futuro da empresa-alvo. A abordagem adota modelagem analítica com ilustração numérica, adequada a contextos de escasso disclosure contratual público. O modelo aplica o arcabouço de Black-Scholes-Merton com parâmetros calibrados às condições locais: volatilidade operacional de 30% ao ano e taxa livre de risco de 15%. A análise numérica indica que o valor do earnout no contexto brasileiro supera em cerca de 178% o calculado com parâmetros de economias desenvolvidas, resultado condicionado às premissas de calibração, e não evidência de subprecificação sistemática, decorrente sobretudo do nível da taxa livre de risco. O estudo deriva quatro proposições analíticas sobre os determinantes do valor contingente, incluindo a formalização do desconto por risco de enforcement em jurisdições com aplicação contratual limitada, extensão original do modelo para mercados emergentes.