Abstract
Objetivo: Examinar em que condições o earnout funciona como mecanismo efetivo de governança contratual no Brasil e em que condições tende a gerar fragilidade, disputa ou oportunismo.
Originalidade/Valor: O artigo desloca o debate da precificação contingente para a realizabilidade econômica do earnout e propõe uma tipologia por efetividade institucional, composta pelos tipos robusto, frágil, litigioso e oportunista.
Principais aspectos metodológicos: Estudo teórico-documental e exploratório que articula economia da informação, contratos incompletos, governança pós-aquisição e opções reais com evidências institucionais secundárias do Conselho Nacional de Justiça e de instituições arbitrais. Os indicadores são utilizados como proxies das condições gerais de exigibilidade, sem inferência causal sobre contratos individuais.
Síntese dos principais resultados: A análise identifica heterogeneidade relevante do enforcement, vulnerabilidade de métricas discricionárias e riscos decorrentes da assimetria de controle pós-aquisição. A realizabilidade econômica depende da consistência entre métrica verificável, estrutura de controle e mecanismo de enforcement compatível com o valor da contingência. A tipologia oferece estrutura diagnóstica para o desenho de salvaguardas contratuais e para a avaliação ex-ante dos riscos de execução. Os resultados reforçam que cláusulas formalmente semelhantes podem apresentar realizabilidade distinta conforme o ambiente institucional e a governança pós-aquisição. A proposta mantém caráter exploratório e demanda validação futura com contratos, laudos arbitrais, decisões judiciais e evidências de mercado.