Abstract
O surgimento da Inteligência Artificial (IA) generativa tem provocado transformações em relação aos processos de produção, circulação e interpretação de discursos, suscitando debates sobre autoria, criatividade, interação e construção de sentidos. No campo dos estudos da linguagem, observa-se o crescimento de pesquisas que recorrem à Teoria Dialógica do Discurso, desenvolvida por Mikhail Bakhtin e pelo Círculo, para compreender as implicações discursivas dessas tecnologias. Este artigo apresenta uma revisão narrativa de três estudos brasileiros recentes que articulam a perspectiva bakhtiniana à análise da IA generativa: Gonçalves e Coitinho (2023), Conte, Devechi e Maciel (2025) e Duque-Pereira e Moura (2025). O trabalho organiza a comparação por eixos temáticos, contemplando a mobilização da teoria bakhtiniana, as concepções de Inteligência Artificial, as interpretações sobre dialogismo, autoria e responsividade, bem como as contribuições e limitações de cada estudo. A análise evidencia que os três artigos convergem ao reconhecer a atualidade da teoria de Bakhtin para interpretar fenômenos discursivos mediados por IA, embora apresentem diferentes estratégias de atualização conceitual, ao ser possível perceber que a IA permite ampliar os campos de aplicação e da capacidade explicativa das categorias formuladas por Bakhtin diante das novas condições históricas de produção dos enunciados.