Abstract
Este artigo analisa como jovens do Ensino Médio significam situações de racismo e outras formas de preconceito no cotidiano escolar, tomando a expressão “na zoeira” como chave para compreender processos de banalização, silenciamento e reprodução de desigualdades. O estudo resulta de recorte de etapa empírica de pesquisa de doutorado realizada entre abril e setembro de 2025 em uma turma de 1º ano do Ensino Médio de escola pública estadual de Campinas (SP), vinculada ao Programa de Ensino Integral. De abordagem qualitativa e orientada pela pesquisa-ação, mobilizou observação participante, diário de campo, questionário, intervenções pedagógicas e entrevistas semiestruturadas. O artigo concentra-se nas narrativas de dez estudantes, articuladas a registros do cotidiano escolar e dialoga com estudos sobre juventudes, culturas juvenis, racismo recreativo, violências escolares e interseccionalidade. Os resultados indicam três movimentos combinados: a conversão do preconceito em “brincadeira”, o silenciamento expresso em formulações como “passa batido” e a fragilidade das respostas institucionais, sintetizada em “não dá para provar”. Mostram ainda que raça, gênero e sexualidade se entrelaçam na produção de hierarquias e formas diferenciadas de reconhecimento. Conclui-se que ouvir as juventudes permite tornar visíveis violências naturalizadas e recolocar a escola diante de sua responsabilidade pedagógica na construção de práticas antirracistas e democráticas.