Abstract
Segundo relatório publicado pelo Instituto Adus de Reintegração do Refugiado (2016), há, na sociedade brasileira, uma atitude de tolerância e resistência em relação àqueles que solicitam refúgio no Brasil por não se enquadrarem no padrão de migrante ideal (SEYFERTH, 2002). Desse modo, é possível afirmar que há uma discriminação velada por discursos vinculados a um imaginário de receptividade (KARNALL, 2016 apud OLIVEIRA JÚNIOR 2016). O presente artigo propõe uma discussão sobre as atitudes de discriminação no contexto do refúgio. Para dar encaminhamento à discussão, será analisado o emprego dos pronomes nós e eles em discursos sobre a presença do sujeito refugiado na sociedade à luz do arcabouço teórico elencado por Van Dijk (2000), especificamente ao que se refere aos disclaimers. A análise proposta será orientada com vistas a verificar como esses pronomes revelam atitudes de mera tolerância e aparente aceitação, evidenciando a configuração de uma discriminação velada.