Abstract
Analisam-se, neste artigo, enunciados da primeira parte do livro Memórias Póstumas de Brás Cubas: Óbito do Autor, a fim de refletir sobre os sentidos que emergem das memórias do locutor. Para tanto, tomamos como base orientações da Teoria da Argumentação na língua, de Oswald Ducrot e Marion Carel, mais precisamente, valemo-nos do conceito de encadeamentos: normativos, em PORTANTO, e transgressivos, em NO ENTANTO. A análise revela que os sentidos produzidos no texto são acionados por meio dos termos “vida” e “morte”, cuja argumentação interna contribui para a construção dos argumentos do locutor, que, na maioria das vezes, apontam para a transgressão, frustrando a expectativa do leitor.