Abstract
Este trabalho objetiva analisar e compreender as relações de poder-saber na esfera discursiva universitária, de modo a explorar os efeitos de sentido resultantes da forma como são designadas as pessoas em situação de refúgio em documentos que regem o processo seletivo para ingresso de refugiados no ensino superior brasileiro. Tomar a questão pelo viés da argumentação e do discurso permite que se estabeleçam profícuos debates em torno de uma visada analítica voltada para o âmbito acadêmico enquanto cenário político não só de divisão de sentidos (ORLANDI, 1998), mas também de relação entre forças heterogêneas que implicam a possibilidade do dissenso (RANCIÈRE, 1998, 2000). Com base nessa perspectiva teórico-metodológica, a análise desenvolvida explora o funcionamento da designação e aponta para sua inscrição na materialidade discursiva, por meio de deslocamentos nas formas de designar, ao longo do tempo e nos diferentes textos.