Abstract
No presente artigo visamos apresentar diferentes caracterizações da noção de território em algumas de suas possíveis aplicações ao campo de Saúde Coletiva no âmbito da gestão, planejamento e atuação não só na organização dos serviços, mas como conceito essencial ao cuidado em saúde. Compreendido como administração das formas de organização do espaço, o território aparece como intervenção do Estado sobre a vida coletiva ao lado da Medicina Social, focando a paisagem e o ambiente como fator de predisposição etiológica de doenças. Nele, se desenrolam as condições sociais e econômicas de adoecimento e as providências de cunho médico-sociais. Progressivamente, os desenvolvimentos da Saúde Coletiva metabolizam a noção de território sob diversos aspectos. Partindo da determinação social da doença, processos socioambientais, de significação dos lugares, identificação socioterritorial, apropriação, reprodução biológica e social passam a ser integrados como fatores de cuidado e produção de saúde. Assim, a noção de território reconfigura as práticas de saúde em termos estratégicos de acesso, cooperação e construção coletiva, num reordenamento das relações de poder que atrela a efetivação do direito à saúde à resolubilidade da assistência e à transformação da sociedade.