Abstract
Eventos climáticos extremos associados à variabilidade pluviométrica têm intensificado problemas hidrológicos extremos em cidades médias brasileiras. Em Teófilo Otoni (MG), esses impactos decorrem da interação entre fatores naturais, como a geomorfologia acidentada da Bacia do Rio Mucuri, e fatores antrópicos, principalmente ocupação irregular do solo e histórica insuficiência do planejamento na drenagem. Este artigo analisa, sob perspectiva institucional, a relação entre vulnerabilidade climática, uso e ocupação do solo e gestão da drenagem urbana no município. A pesquisa adota abordagem qualitativa, exploratória-descritiva, com procedimentos documental-bibliográfico, utilizando análise de conteúdo. Foram examinados instrumentos de planejamento municipal, indicadores operacionais do saneamento, registros de eventos críticos e dados do Índice Mineiro de Vulnerabilidade Climática (IMVC). Os resultados evidenciam elevada exposição a riscos hidrológicos, fragilidades na capacidade de adaptação institucional e ausência de instrumentos específicos de drenagem, apesar da existência formal de planos setoriais. Observa-se predominância de soluções tradicionais, pouco integradas ao ordenamento territorial, o que mantém elevados os picos de escoamento superficial. Conclui-se que a redução da vulnerabilidade climática na cidade depende da atualização dos instrumentos urbanísticos, da adoção de soluções de drenagem urbana sustentável e do fortalecimento da governança integrada do saneamento, alinhando-se às diretrizes nacionais e aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.