Abstract
Este estudo parte da categoria epistemologias das margens/fora das margens para compreender modos de produção de conhecimento que emergem em contextos historicamente subalternizados e que questionam a centralidade do pensamento eurocêntrico, afirmando a pluralidade epistêmica, a interculturalidade e a justiça cognitiva e social. As Epistemologias do Sul comparecem no estudo como descritor de busca e campo de circulação bibliográfica do corpus. No campo educacional, tais epistemologias têm sido mobilizadas como ferramentas críticas para repensar a ciência, o ensino e os processos formativos. Com esse horizonte teórico, a pesquisa foi desenvolvida em duas fases. Na primeira, realizou-se um mapeamento bibliográfico exploratório de 92 artigos publicados entre 2015 e 2025 em periódicos brasileiros indexados no Portal de Periódicos da CAPES, selecionados a partir das palavras-chave “epistemologias do Sul”, “epistemologia do Sul” e “educação”. Os textos foram analisados com base em títulos, palavras-chave e resumos e organizados em três eixos temáticos: ciências exatas, naturais e da Terra, ciências humanas e educação/pedagogia. A análise textual estatística foi conduzida com o software IRaMuTeQ, utilizando procedimentos de análise lexicográfica, análise fatorial de correspondência, classificação hierárquica descendente, análise de similitude e nuvem de palavras. Na segunda fase, dez artigos voltados especificamente ao Ensino de Ciências foram selecionados e submetidos a uma análise de conteúdo e a uma análise de discurso inspirada na perspectiva foucaultiana. Os resultados evidenciam formações discursivas críticas aos referenciais hegemônicos, que valorizam saberes decoloniais, indígenas, africanos, orientais e feministas. O estudo contribui ao mapear como essas epistemologias vêm sendo mobilizadas no Ensino de Ciências, apontando seus limites, suas potencialidades e seus efeitos na produção de outros modos de pensar a ciência e a educação.