Abstract
As mudanças climáticas têm produzido implicações relevantes para a agricultura, especialmente em razão da sensibilidade dos sistemas produtivos às alterações de temperatura, precipitação, disponibilidade hídrica e ocorrência de eventos climáticos extremos. Nesse contexto, o presente estudo teve como objetivo analisar os impactos das mudanças climáticas sobre a produtividade agrícola e as estratégias de adaptação destinadas ao fortalecimento da resiliência dos sistemas produtivos. Metodologicamente, realizou-se uma revisão integrativa da literatura, estruturada pela estratégia SPIDER e conduzida conforme as recomendações do PRISMA 2020, mediante buscas nas bases SciELO, Scopus e Web of Science, com utilização dos operadores booleanos AND, OR e NOT e combinação de palavras-chave por blocos conceituais. Foram considerados artigos científicos publicados em língua portuguesa entre 2019 e 2025. Inicialmente, identificaram-se 247 registros; após a remoção de 53 duplicatas, 194 estudos foram submetidos à triagem por títulos e resumos, dos quais 139 foram excluídos. Posteriormente, 55 artigos foram avaliados integralmente, sendo 43 eliminados por não atenderem aos critérios de elegibilidade, resultando em uma amostra final de 12 estudos. Os resultados evidenciaram que o aumento das temperaturas, a irregularidade das precipitações, a redução da disponibilidade hídrica e a intensificação de eventos extremos podem comprometer o rendimento das culturas, modificar calendários agrícolas, alterar a aptidão produtiva de determinadas áreas e ampliar a incidência de estresses bióticos e abióticos. Verificou-se, ainda, que a vulnerabilidade não decorre exclusivamente da exposição climática, sendo condicionada por fatores socioeconômicos, tecnológicos, territoriais e institucionais, particularmente entre agricultores familiares. Entre as principais estratégias adaptativas identificadas destacaram-se a diversificação produtiva, o manejo e a conservação do solo e da água, a adoção de práticas agroecológicas, o emprego de cultivares mais tolerantes, o aprimoramento da gestão hídrica, o acesso à informação climática, a assistência técnica e a incorporação de tecnologias agrícolas. Os achados demonstraram, portanto, que o fortalecimento da resiliência dos sistemas produtivos requer uma abordagem integrada e territorialmente adequada, articulando inovação tecnológica, conservação dos recursos naturais, conhecimento científico, financiamento, extensão rural e políticas públicas capazes de reduzir vulnerabilidades e preservar a estabilidade da produção diante das transformações climáticas.