Abstract
A Atenção Primária à Saúde (APS) constitui componente fundamental para a organização do Sistema Único de Saúde (SUS), especialmente por sua função na ampliação do acesso, na coordenação assistencial e na continuidade do cuidado. Este estudo teve como objetivo analisar os fatores relacionados ao acesso, à resolutividade e à integralidade do cuidado na Atenção Primária à Saúde no contexto do SUS. Metodologicamente, realizou-se uma revisão de escopo, conduzida conforme as etapas de seleção sistematizadas pelo PRISMA, mediante buscas nas bases DOAJ, Scopus, SciELO e Latindex. Foram incluídos artigos científicos publicados em língua portuguesa entre 2017 e 2024 que apresentassem relação direta com as dimensões investigadas. A busca inicial identificou 318 registros, dos quais 57 duplicados foram removidos; após a triagem de títulos e resumos e a avaliação dos textos completos segundo os critérios de elegibilidade, 14 artigos constituíram a amostra final. Os resultados demonstraram que, apesar dos avanços relacionados à ampliação da cobertura da APS, persistem barreiras territoriais, organizacionais e assistenciais que interferem no acesso oportuno aos serviços. A resolutividade mostrou-se condicionada pela disponibilidade e estabilidade dos profissionais, capacidade instalada, recursos diagnósticos, organização dos processos de trabalho e articulação com outros níveis de atenção. Quanto à integralidade, destacaram-se dificuldades relacionadas à fragmentação das práticas, aos mecanismos de referência e contrarreferência, à comunicação entre serviços e à continuidade informacional. Evidenciou-se, ainda, que a coordenação do cuidado representa elemento transversal às dimensões analisadas e depende da integração das Redes de Atenção à Saúde, da qualificação dos processos de trabalho e do fortalecimento dos mecanismos de regulação e compartilhamento de informações. Os achados indicam, portanto, que a consolidação de uma Atenção Primária acessível, resolutiva e integral requer intervenções articuladas sobre organização dos serviços, força de trabalho, desigualdades territoriais, sistemas de informação e integração assistencial, de modo a favorecer a continuidade e a qualidade do cuidado ofertado no SUS.