Abstract
A crescente incidência de fatores psicossociais relacionados ao trabalho tem ampliado a necessidade de abordagens preventivas capazes de articular saúde mental, organização laboral e gerenciamento dos riscos ocupacionais. Este estudo teve como objetivo analisar as implicações da nova Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) para a gestão dos riscos psicossociais relacionados ao trabalho, considerando seus desdobramentos para as práticas organizacionais de identificação, avaliação e prevenção dos riscos ocupacionais. Trata-se de uma pesquisa de abordagem qualitativa, desenvolvida por meio de revisão bibliográfica, com levantamento de artigos científicos nas bases LILACS, PubMed, SciELO e Scopus, utilizando palavras-chave relacionadas à saúde mental, relações de trabalho, riscos psicossociais, NR-1, gerenciamento de riscos ocupacionais e saúde do trabalhador, combinadas pelos operadores booleanos AND, OR e NOT. Considerando a atualidade das alterações normativas, adotou-se como recorte temporal o período de 2025 a 2026, priorizando publicações diretamente relacionadas ao objeto investigado. Os resultados evidenciaram que os riscos psicossociais apresentam natureza multifatorial e estão associados a elementos como sobrecarga, intensificação das demandas, baixa autonomia, conflitos de papéis, jornadas inadequadas, insuficiência de suporte organizacional, práticas de liderança, violência, assédio e dificuldades nas relações socioprofissionais. Verificou-se que a nova NR-1 fortalece a incorporação desses fatores ao gerenciamento dos riscos ocupacionais, demandando processos sistemáticos de identificação, avaliação, planejamento de medidas preventivas e acompanhamento das intervenções. Evidenciou-se, ainda, que a efetividade do gerenciamento depende da participação dos trabalhadores, da integração entre diferentes áreas organizacionais, da qualificação das lideranças e, sobretudo, da adoção de medidas direcionadas às fontes dos riscos, evitando a individualização de problemas decorrentes da própria organização laboral. Constatou-se que a aplicação consistente da NR-1 pode contribuir para superar abordagens predominantemente reativas e fortalecer uma cultura organizacional preventiva, na qual a proteção da saúde mental seja integrada às decisões relacionadas à organização, às condições e às relações de trabalho.