Abstract
A práxis pedagógica libertadora é essencial para a libertação do sujeito e dos povos, permitindo uma vida digna na plenitude de suas diferenças. Contudo, é necessário delinear critérios de validade que diferenciem a práxis libertadora de mero reformismo para que ela não seja espelho dos ideais dominantes. A categoria de critérios de validade é amplamente estudada por Enrique Dussel, de modo que há a proposta de diversos elementos que legitimam e validam essa práxis, em caráter intersubjetivo, Dussel de 2000 e intercultural, Dussel de 2016, especialmente no que tange ao diálogo – tema cuja importância é amplamente exposta por Paulo Freire. Objetiva-se contribuir com a reflexão sobre a categoria de critérios de validade a partir da Carta Encíclica Fratelli Tutti, que também aborda o diálogo intercultural com vistas à libertação dos povos e sugere duas importantes premissas: valores universais e fraternidade universal. A partir de metodologia teórica inspirada em Goldmann, 1959, e na busca por afinidades eletivas, pretende-se iniciar um diálogo entre a Carta Encíclica e o pensamento latino-americano de Dussel e refletir sobre a categoria e elementos propostos. Conclui-se que é possível elevar as premissas da Encíclica à categoria de critérios de validade para, em caráter complementar, serem incorporadas à práxis pedagógica libertadora.