Abstract
Introdução: A psiquiatria moderna tem sido dominada, há mais de quatro décadas, pelo modelo diagnóstico categorial codificado no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM) e na Classificação Internacional de Doenças (CID).Objetivos: Introduzir e sistematizar a Doença Psiquiátrica Geral (DPG), um marco nosográfico unificador que propõe que diversas condições psiquiátricas representam expressões clínicas variáveis de um distúrbio funcional-etiopatogênico comum, e avaliar sua capacidade explicativa em cinco grandes domínios clínicos. Desenho do estudo: Revisão conceitual e síntese teórica. Metodologia: Revisão conceitual integrativa de evidências da psicopatologia, neuropsiquiatria, genética clínica, farmacologia e psicoterapia, aplicada em cinco domínios clínicos: o espectro neurodesenvolvimentista (autismo, disfasia, dislexia, TDAH), transtornos do humor, transtornos da personalidade, transtornos psicóticos e síndromes neuropsiquiátricas. Resultados: A DPG fornece uma explicação coerente de: (a) altas taxas de comorbidade psiquiátrica; (b) migração de sintomas ao longo da vida; (c) cross-categoricalidade farmacológica, e (d) arquitetura genética compartilhada entre categorias diagnósticas. O conceito, originalmente proposto em Caixeta et al. (2014, 2018), constitui o marco fundamental a partir do qual avanços em psicopatologia, farmacologia, psicoterapia e cognição podem ser sistematicamente derivados. Conclusão: A DPG representa uma mudança de paradigma na nosografia psiquiátrica. Sem substituir o diagnóstico categórico, fornece o substrato teórico para uma psiquiatria mais integrada e cientificamente produtiva, com implicações diretas para pesquisa, prática clínica, treinamento e desenvolvimento de fármacos.