Abstract
A perda de massa muscular na doença crítica motiva a recomendação de oferta proteica elevada, mas os ensaios clínicos de desfechos clínicos foram nulos e as revisões anteriores não agruparam desfechos musculares por incomparabilidade dos instrumentos de medida. O objetivo foi agrupar quantitativamente o efeito de maior versus menor oferta de proteína e energia sobre a massa muscular avaliada por ultrassonografia em adultos criticamente enfermos, restringindo a análise a uma única modalidade de medida. Realizou-se revisão sistemática com metanálise segundo a diretriz PRISMA 2020. A base PubMed foi consultada da origem até julho de 2026, sem filtro de delineamento, com rastreio das referências. Foram elegíveis ensaios randomizados em adultos em terapia intensiva que contrastassem maior e menor oferta de proteína e/ou energia e relatassem massa ou espessura muscular medida por ultrassonografia. O g de Hedges foi agrupado por efeitos aleatórios com máxima verossimilhança restrita, com exclusão sequencial e estratificação pelo risco de viés. De 363 registros, 11 ensaios foram elegíveis e 9 forneceram dados agrupáveis. A diferença de médias padronizada global foi de 1,06 (intervalo de confiança de 95%: 0,61 a 1,51), favorecendo a maior oferta, com inconsistência de 85%. A estratificação pelo risco de viés resolveu essa heterogeneidade e, excluídos os ensaios de alto risco, o efeito estabilizou em 0,72 (0,50 a 0,94), com inconsistência de 22%. Conclui-se que a maior oferta proteica preserva a massa muscular medida por ultrassonografia com efeito moderado e consistente; coexistindo com ensaios clínicos nulos, isso configura dissociação entre mecanismo e desfecho.