Abstract
A distribuição territorial de novos policiais é uma decisão de alto impacto e difícil reversão. Dividir o efetivo policial apenas pela população, pelo número de ocorrências ou pelo percentual de preenchimento do quadro pode conservar desigualdades e não assegurar capacidade operacional. Este artigo propõe um modelo, replicável e auditável para apoiar a alocação de efetivo entre unidades territoriais comparáveis. Trata-se de pesquisa aplicada, bibliográfica, documental e propositiva, sem utilização de dados operacionais individualizados. O Sistema de Atendimento e Despacho de Emergências (SADE) ocupa posição central porque permite estimar demanda registrada, tempo consumido pelas guarnições, formação de filas, tempo-resposta e apoios entre áreas. Esses indicadores descrevem etapas do mesmo processo e, por isso, não são somados como pesos independentes. A necessidade é definida pelo maior requisito entre carga de trabalho, nível de serviço e cobertura territorial; depois é convertida em efetivo permanente conforme escala, jornada, composição das equipes, afastamentos, supervisão e frota. A população permanece sob controle obrigatório em todas as etapas; entre alternativas admissíveis, a escolha preserva mínimos, reduz os piores déficits e pondera quadro, contexto e logística. Reserva operacional e ajuste definitivo são institutos distintos, e 20% a 25% são cenários candidatos a comparar com proporções menores, não parâmetros previamente ótimos. O modelo apresenta potencial para fundamentar diretriz corporativa, condicionado à homologação dos dados, teste retrospectivo, simulação regional, projeto-piloto e validação institucional.