Abstract
A ausculta pulmonar permanece como um dos pilares da semiologia médica e da avaliação à beira-leito. No entanto, a meta-análise de Arts et al. identificou sensibilidade de 37% e especificidade de 89% para patologias pulmonares agudas, indicando que um resultado normal não é suficiente para descartar doenças. Este artigo de opinião discute o papel do exame clínico no raciocínio e no ensino médico diante das evidências atuais, com base na análise crítica da literatura científica pertinente e na experiência de um especialista em Medicina de Emergência, mobilizado para discutir as implicações clínicas e educacionais desses achados. Conclui-se que o desempenho da ausculta é influenciado pelas características físicas da transmissão dos sons, pela habilidade do examinador e pelas condições ambientais, o que reforça a necessidade de interpretar os resultados em um contexto clínico mais amplo. Portanto, seu valor não está em substituir métodos complementares, mas contribuir para a formulação de hipóteses e a condução da avaliação à beira-leito. No ensino médico, a técnica e a nomenclatura devem ser acompanhadas pelo conhecimento sobre desempenho diagnóstico, prática deliberada, feedback e integração com métodos complementares, incluindo o ultrassom point-of-care (POCUS).