Abstract
O câncer de mama é a neoplasia mais prevalente entre as mulheres no mundo, com impactos negativos significativos na qualidade de vida (QV) das pacientes submetidas a intervenções cirúrgicas, como mastectomias. Este estudo avaliou a QV de 18 mulheres, residentes no interior da Amazônia, que realizaram cirurgia oncológica de mama há mais de seis meses. Utilizou-se o questionário EORTC QLQ-C30, que permite uma análise multidimensional da QV, abrangendo domínios funcionais e sintomas vividos no percurso da doença. Os resultados indicaram que, apesar de bons escores em funções físicas, sociais e cognitivas, a função emocional apresentou índices mais baixos, refletindo tensões e ansiedades. Entre os sintomas, fadiga, dor e insônia foram os mais prevalentes, enquanto dificuldades financeiras foram relatadas por boa parte das participantes. A média geral de qualidade de vida foi considerada regular, contrastando com estudos realizados em grandes centros urbanos, onde os escores são mais elevados. Os achados destacam as particularidades regionais que influenciam a experiência de mulheres em contextos socioeconômicos menos favorecidos, além de enfatizar a importância de abordagens terapêuticas individualizadas. O estudo conclui que intervenções focadas na dimensão emocional e na mitigação de sintomas são essenciais para melhorar a QV das pacientes. Este estudo contribui para o avanço da pesquisa em oncologia ao abordar uma população frequentemente negligenciada, reforçando a necessidade de estratégias integradas e humanizadas para garantir um cuidado mais equitativo e eficaz às mulheres acometidas pelo câncer de mama.