Abstract
Introdução: Hospitais familiares enfrentam crescente pressão por profissionalização, eficiência decisória e clareza nos fluxos de comunicação. Estruturas organizacionais excessivamente fragmentadas podem aumentar a complexidade relacional, dificultar a definição de papéis e comprometer a governança institucional. Objetivo: Analisar o redesenho da arquitetura organizacional de um hospital familiar brasileiro, com foco na redução dos links formais de comunicação e no fortalecimento da governança interna. Métodos: Estudo organizacional de natureza analítica, baseado em experiência de reestruturação institucional em hospital privado familiar. Foram analisados o organograma pré-intervenção, a matriz SWOT, dados de clima organizacional e o novo desenho organizacional proposto. A complexidade formal da comunicação foi estimada pela fórmula n(n−1)/2, em que n representa o número de gerências ou posições equivalentes conectadas ao fluxo decisório. Resultados: A estrutura inicial apresentava 23 gerências ou posições equivalentes, correspondendo a 253 links formais potenciais de comunicação. Após a intervenção, o organograma foi redesenhado para 5 gerências diretamente vinculadas à estrutura diretiva, reduzindo os links formais potenciais para 10. A reorganização buscou aumentar a clareza de papéis, reduzir a fragmentação decisória e fortalecer referências formais de comunicação. Conclusão: O redesenho da arquitetura organizacional mostrou-se uma estratégia potencialmente útil para reduzir a complexidade formal da comunicação em hospital familiar. Estruturas mais enxutas podem favorecer governança, agilidade decisória e maior alinhamento institucional, especialmente em organizações de saúde submetidas a ambientes competitivos e de alta complexidade.