Abstract
A popularização dos podcasts no ambiente digital contemporâneo ampliou os espaços de debate público e, com eles, as ocorrências de interações conflituosas marcadas por disputas ideológicas e embates discursivos. Nesse contexto, a (im)polidez linguística emerge como um fenômeno relevante para a compreensão dos modos pelos quais os sujeitos constroem e negociam suas imagens sociais na interação verbal. Assim, neste artigo, objetivamos analisar de que maneira recursos linguístico-discursivos contribuem para a construção de sentidos, a negociação de faces e a atualização de posicionamentos ideológicos em um exemplar de podcast, investigando como a (im)polidez se efetua no nível do discurso e opera como dimensão constitutiva do enunciado, e não como mero acessório pragmático. Este trabalho articula os estudos dialógicos de Bakhtin (2011) e Volóchinov (2025 [1929]) às perspectivas interacionais e discursivas da (im)polidez, conforme propostas por Kerbrat-Orecchioni (2004; 2006; 2010), Culpeper (2011) e Culpeper e Hardaker (2017). Adotamos uma abordagem qualitativa, com análise de trechos transcritos do corpus, sendo as transcrições realizadas conforme as normas de Marcuschi (2003). Evidenciamos, após as análises, que os sujeitos mobilizam recursos variados de ameaça e proteção de faces — como insultos, ironias e vocativos depreciativos —, confirmando que a (im)polidez é um fenômeno dialógico, discursivo e ideológico.