Abstract
Este artigo apresenta um estudo de caso sobre experiências de gestão cidadã de dados desenvolvidas por organizações que atuam em territórios historicamente marginalizados da Região Metropolitana do Rio de Janeiro, compreendendo tais práticas como abordagens sociotécnicas e epistemopolíticas, as quais operam no contrafluxo das estruturas hegemônicas de produção, validação e circulação da informação. Inicialmente o estudo apresenta referenciais teóricos sobre os conceitos de ciência aberta e gestão cidadã de dados, gestão compartilhada do conhecimento para o desenvolvimento local articulando-os à teoria crítica da tecnologia, à epistemologia crítica e ao epistemicídio. Em seguida, por meio da coleta secundária de dados, realiza uma análise comparativa entre projetos desenvolvidos por quatro organizações: Casa Fluminense, data_labe, Observatório das Baixadas e Observatório de Favelas das Redes da Maré. A análise identifica estratégias e padrões recorrentes, tais como metodologias híbridas de validação científica, processos colaborativos de produção do conhecimento, uso de tecnologias digitais acessíveis, disputa epistemológica no campo informacional e difusão orientada à incidência política. Os resultados indicam que essas iniciativas articulam ciência, literacia de dados e saberes locais para produzir formas alternativas de conhecimento, enfrentando desafios estruturais e contrapondo processos de invisibilização e epistemicídio de populações em situação de vulnerabilidade. Aspectos que evidenciam o potencial transformador da gestão cidadã de dados na democratização da informação e no desenvolvimento local.