Abstract
O presente artigo analisa o fenômeno da poesia visual contemporânea brasileira que emerge nas redes sociais digitais e posteriormente transita para o suporte impresso, observando, nesse movimento, a reconfiguração das relações entre autoria, leitura e criação. A partir do conceito de contra-assinatura, investiga-se o papel ativo e performativo do leitor, que, ao compartilhar, recriar e ressignificar as poesias visuais, torna-se coautor das obras. O estudo compreende a leitura como ato criador e socialmente situado, mais especificamente a partir do advento das redes sociais digitais, como um movimento inédito no mercado literário brasileiro. Metodologicamente, realiza-se uma análise qualitativa de produções de leitores a partir de perfis de poetas visuais brasileiros contemporâneos no Instagram, todos também com livros publicados, evidenciando práticas de reelaboração estética, formal e discursiva. Os resultados apontam que a contra-assinatura do leitor traz novos marcos situados na história da relação autor-leitor na literatura. E não apenas amplia os sentidos dos textos poéticos, mas também modifica os modos de circulação e legitimação da literatura no cenário digital, promovendo uma democratização da produção e do acesso à poesia. Conclui-se que a poesia visual contemporânea brasileira configura um campo de criação compartilhada, no qual leitura e escrita se entrelaçam em um processo contínuo de reinvenção literária.