Abstract
A ideia de uma obra literária para crianças ser transposta do meio impresso para o digital, num processo que Bolter e Grusin denominam “remediação” (BOLTER E GRUSIN, 2000), não raro suscita críticas de agentes do próprio ecossistema educativo-literário. Isso porque, utilizando-se dos recursos próprios do meio digital, poderia, supostamente, reduzir a capacidade imaginativa daquele leitor, uma vez que preencheria, a priori, com imagens, sons e recursos interativos, por exemplo, as lacunas deixadas pelo texto escrito; lacunas que deveriam ser supridas pelo próprio leitor, dentro de sua experiência de vida e capacidade leitora. Neste artigo, que convoca o conceito de “lugar vazio” teorizado por Iser (ISER, 1999), busca-se pensar as obras de literatura digital para os mais novos como oportunidades para a ampliação da leitura, ao invés de seu fechamento, a partir da análise de remediações de poemas brasileiros e portugueses realizadas para o site Tear Poético, antologia digital desenvolvida por CONTE (2025), disponível no endereço: www.tearpoetico.net.