Abstract
O seguinte artigo, com uma abordagem sócio-histórica, analisa, através do jornal Última Hora, como a imagem da escritora Carolina Maria de Jesus foi construída, apropriada e usada tanto por ela quanto pelo periódico citado. Utilizando conceitos como o de imagens de controle, de Patricia Hill Collins, e outridade, de bell hooks, e sob a lente interseccional de ambas, é percebido que há dois processos entre os anos de 1960 e 1964. Em primeiro lugar, Carolina é retratada somente como uma pessoa pouco instruída e que não pertencia ao local que ocupava, demarcada pelos estigmas impostos. Depois, ela adquire um caráter de autoridade sobre a temática da favela e da miséria, e isso é apropriado por ela para ganhar mais espaço no periódico; por outro lado, o jornal utiliza-a como meio de difundir sua filiação ideológica com a popularidade e concordância da autora. Assim, é possível compreender que a formação e utilização da personalidade da escritora acabou favorecendo ambos, até determinado ponto.