Abstract
A alergia à proteína do leite de vaca (APLV) repercute além das manifestações clínicas da criança, influenciando a dinâmica familiar e as expectativas maternas quanto ao futuro e ao cuidado em saúde. Compreender essas expectativas pode subsidiar estratégias assistenciais mais integrais e centradas nas necessidades das famílias. O objetivo deste estudo é compreender as expectativas de mães de crianças com alergia à proteína do leite de vaca em relação ao futuro de seus filhos e à assistência em saúde, à luz da Fenomenologia Social. Estudo qualitativo realizado com mães de crianças de zero a dois anos diagnosticadas com APLV acompanhadas em um centro especializado de nutrição infantil. Os dados foram produzidos por meio de entrevistas fenomenológicas em profundidade e analisados com enfoque nos "motivos para", compreendidos como os projetos e expectativas que orientam as ações futuras das participantes. Emergiram duas categorias temáticas: esperança na superação da APLV e na conquista de uma vida sem restrições, evidenciando o desejo de autonomia alimentar, inclusão social e melhora da qualidade de vida das crianças; e expectativa por uma assistência em saúde mais qualificada e humanizada, expressando a necessidade de diagnóstico precoce, profissionais capacitados, protocolos assistenciais e uma rede de cuidado acolhedora e resolutiva. Conclui-se que as expectativas maternas refletem projetos orientados pela busca de melhores condições de vida para os filhos e de uma assistência em saúde mais integral. Os achados reforçam a necessidade de fortalecer a qualificação profissional, a atuação multiprofissional e a organização das redes de atenção à saúde para o cuidado às crianças com APLV e suas famílias.