Abstract
A expansão da sojicultura no Cerrado maranhense (MATOPIBA) ocorre sob forte variabilidade pluviométrica, tornando o déficit hídrico o principal risco de lacunas de produtividade (yield gaps) em sistemas de sequeiro. Este estudo objetivou calibrar e validar o modelo da Zona Agroecológica (MZA-FAO) para estimar indicadores de eficiência bioclimática e de lacunas produtivas da soja em seis microrregiões (Balsas, Alto Parnaíba, Fortaleza dos Nogueiras, Nova Colinas, Riachão e Tasso Fragoso). Metodologicamente, o modelo foi calibrado com dados de Valor de Cultivo e Uso (VCU) e validado com séries históricas de produtividade real do IBGE. Os resultados da calibração biológica (dados de VCU) revelaram exatidão quase ideal, com Coeficiente de Eficiência de Nash-Sutcliffe (NSE) variando de 0,958 a 1,000 e Erro Quadrático Médio (RMSE) inferior a 95,23 kg ha⁻¹, com destaque para Tasso Fragoso (NSE = 1,000; RMSE = 0,39 kg ha⁻¹). Na validação espacial e validação temporal (dados IBGE), o modelo manteve elevada robustez preditiva em Tasso Fragoso (NSE = 0,778), Alto Parnaíba (NSE = 0,760) e Balsas (NSE = 0,602), com erros inferiores a 5 sacas ha⁻¹. Contudo, observou-se desempenho insatisfatório em Nova Colinas (NSE = -0,369) e em Fortaleza dos Nogueiras (NSE = -0,073). Os resultados indicam que, enquanto os polos consolidados são governados pelo clima, as regiões marginais sofrem interferência do manejo. A análise multivariada discriminou três perfis regionais de vulnerabilidade (CCC = 0,8526; variância explicada pela PCA = 98,5%), recomendando-se políticas diferenciadas de extensão rural e de mitigação hídrica para cada perfil de eficiência.