Abstract
O presente artigo analisa o processo de transformação organizacional e a dinâmica interna de poder do Partido Novo no estado do Paraná, sob a ótica das percepções de seus filiados e ex-filiados históricos. Utilizando como principal aporte teórico a "Lei de Ferro das Oligarquias", formulada por Robert Michels (1911), e integrando as contribuições de Maurice Duverger sobre a morfologia partidária e o debate contemporâneo sobre a cartelização e sobrevivência partidária brasileira conduzido por Bruno Bolognesi, a pesquisa investiga como uma agremiação nascida sob as premissas do idealismo, da horizontalidade decisória e da negação veemente das práticas políticas tradicionais convergiu para um modelo de gestão centralizado e verticalizado. O estudo ancora-se em uma abordagem qualitativa de caráter descritivo-analítico, amparada na aplicação de 11 entrevistas em profundidade semiestruturadas, e análise de documentos oficiais do Partido. Os resultados demonstram que as pressões sistêmicas por sobrevivência eleitoral, a posterior aceitação e distribuição estratégica de recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) e a ascensão de lideranças de forte apelo midiático (caracterizadas localmente pela transição para a denominada "era pós-Deltan") precipitaram um processo acelerado de oligarquização interna. Conclui-se que o Partido Novo, na atual conjuntura, constitui um sólido laboratório empírico que valida a perenidade e a universalidade da tese michelsiana.