Abstract
A violência de gênero é um problema estrutural que perpassa esferas individuais e adentra o contexto social como uma questão de saúde pública. No âmbito da Atenção Básica, conforme esclarece o Ministério da Saúde (2025), o acesso à serviços sanitários é entendido majoritariamente como o primeiro contato da vítima com as políticas públicas. A partir disso, volta-se o olhar para a atuação dos Agentes Comunitário de Saúde (ACS), em vista que a integração com a comunidade os torna o ponto de partida para a identificação e manejo precoce dos casos de violência contra a mulher. Este estudo teve como objetivo analisar a atuação dos ACS no enfrentamento da violência de gênero no âmbito da Atenção Primária à Saúde, com foco na identificação de casos, nas condutas adotadas e na articulação com a rede de proteção. Trata-se de uma pesquisa de abordagem quali-quantitativa, de caráter exploratório e descritivo, realizada em uma Unidade Básica de Saúde no bairro Itapera, em São Luís/MA. A coleta de dados ocorreu em abril de 2026, por meio de formulário eletrônico aplicado com os profissionais vinculados à Estratégia Saúde da Família. Os dados quantitativos foram analisados por percentuais e os qualitativos por análise interpretativa, em que se observou frequência na identificação de casos de violência contra a mulher durante as visitas domiciliares. Encontraram-se dificuldades relacionadas ao manejo adequado dos casos, com enfoque especial para a ausência de fluxos definidos e protocolos claros quanto a questão, evidenciando fragilidades e limitações na atuação na atenção primária à saúde. Infere-se, portanto, que os Agentes Comunitários de Saúde possuem papel estratégico no enfrentamento da violência contra a mulher e é crucial o fortalecimento da rede de proteção para qualificar a assistência no contexto da saúde pública.