Abstract
O presente trabalho analisa o Barroco no Brasil a partir de sua relação com o contexto histórico e social da Colônia, compreendendo a produção artística como instrumento de difusão ideológica e de legitimação das estruturas de poder. Examina-se a transposição desta modalidade estética da Europa para a América portuguesa, enfatizando as especificidades assumidas no cenário colonial, marcado por hierarquias sociais e pela atuação da Igreja Católica na catequização e no disciplinamento da população. Nesse contexto, aborda-se a recorrência da morte e do inferno como elementos centrais na construção de uma pedagogia do medo, mobilizada para orientar condutas e reforçar valores morais. Por fim, realiza-se a análise de dois afrescos localizados na Igreja do Senhor do Bonfim, em Salvador — “A morte do Justo” e “A morte do Pecador” —, evidenciando como tais representações articulam, de forma didática e contrastiva, as noções de salvação e condenação, contribuindo para a conformação de percepções e práticas no interior da sociedade colonial.