Abstract
Este artigo analisa uma dimensão ainda pouco explorada das representações sociais docentes sobre o ensino de Ciências na Educação Infantil: os sentidos vinculados ao corpo, ao cuidado, à escuta e às múltiplas linguagens. Trata-se de um recorte analítico de pesquisa de métodos mistos, com predominância qualitativa, realizada com doze professoras de uma rede municipal do Paraná, seis regentes e seis de hora-atividade. Os dados foram produzidos por Técnica de Associação Livre de Palavras (TALP), grupo focal e questionário estruturado; as evocações foram examinadas de modo prototípico e exploratório com o openEvoc, e o material discursivo foi submetido à Análise de Conteúdo. A releitura dos quatro corpora evidenciou que, ao lado de planejamento, conteúdo, projetos e experimentação, emergem ouvir, cuidado, esquema corporal, sentir, tocar, arte, contação de histórias, criatividade e movimento. Propõe-se, como síntese interpretativa, a noção de cartografia sensório-relacional, sem atribuir a esses termos centralidade estrutural. Os resultados sugerem que, na Educação Infantil, a ciência se torna pedagogicamente reconhecível também por experiências corporais, linguísticas e relacionais, desde que mediadas por intencionalidade, problematização e produção compartilhada de significados.