Abstract
Este artigo tem como objetivo discutir as relações entre a produção do conhecimento pela humanidade, a construção histórica do conceito de currículo e o percurso da educação institucionalizada no Brasil. Parte-se do pressuposto de que o conhecimento é constitutivo da própria existência humana e que, historicamente, tem sido a força motriz das transformações sociais, culturais e tecnológicas. Discute-se, na sequência, o conceito de currículo a partir de sua etimologia e de sua compreensão contemporânea como campo atravessado por relações de poder, não neutro nem universal. Analisa-se ainda a trajetória histórica do currículo no Brasil, desde a educação jesuítica até o período posterior à redemocratização, evidenciando como propostas curriculares oficiais estiveram, em diferentes momentos, a serviço da manutenção de interesses econômicos e políticos dominantes. Trata-se de uma pesquisa de natureza qualitativa, de caráter bibliográfico, fundamentada em autores como Bittar e Ferreira Jr. (2012), Campos (2009), Severino (2006), Laval (2004), Freitas (2018), Moreira e Tadeu (2011) e Zotti (2002). Conclui-se que o currículo não pode ser compreendido como instrumento neutro ou descolado da realidade social, mas como produto e produtor das relações econômicas, políticas e culturais de seu tempo, o que reforça a necessidade de problematizar currículos unificados que desconsideram as diversidades regionais, sociais e culturais do país.