Abstract
Macapá, cidade do norte do Brasil, tem condições climáticas características de região quente e úmida, e algumas espécies vegetais são bem adaptadas a essa variação climática. Entre essas plantas, as alimentícias não convencionais (PANC's), de valor nutritivo e pouco exigentes nos tratos culturais, são sugeridas na composição de arranjos vegetais que atendam a famílias de classe média com pouco espaço para cultivo em suas residências. Ter hortas domiciliares contribui para o bem-estar familiar em aspectos nutricionais e psicológicos, além de colaborar com a preservação do meio ambiente, seja pelo reuso de recursos, seja pela melhora do microclima, atendendo dupla função, arquitetônica e alimentar. O estudo objetivou analisar a percepção dos moradores para a implantação de hortas domésticas em pequenos espaços, com fins paisagísticos, na cidade. Para isso, foi aplicado questionário no condomínio de prédios Barcelona, a partir do qual se constatou que os moradores, em sua maioria, possuem interesse em ter hortas domiciliares por motivação terapêutica, em grande parte trabalhando fora de suas residências, mas com um turno livre. Identificou-se que poucos têm filhos e idosos em casa, fatores que não alteram de modo considerável o interesse por cultivar plantas comestíveis. Apesar de a maioria ter elevado grau de escolaridade, não possui conhecimento básico sobre jardinagem. Conclui-se que fomentar a sensibilização dos moradores a respeito dos benefícios ambientais, socioeconômicos e de resgate da ancestralidade do cultivo de plantas, principalmente das não convencionais, bem como oferecer apoio financeiro para implantação e manutenção, são fatores determinantes para o crescimento dessa prática.