Abstract
A comunicação eficaz desempenha papel central nos relacionamentos interpessoais, especialmente entre casais heterossexuais, uma vez que influencia diretamente a satisfação conjugal, a resolução de conflitos e a qualidade do vínculo afetivo (Bereza et al., 2005; Costa & Mosmann, 2020). No contexto brasileiro, aspectos culturais relacionados à afetividade e à expressividade emocional também interferem na dinâmica conjugal e na forma como os parceiros estabelecem suas interações. Este estudo tem como objetivo analisar os desafios enfrentados por casais que possuem filhos neurodivergentes, bem como identificar estratégias de enfrentamento que contribuam para a manutenção da saúde relacional. Trata-se de uma pesquisa de revisão de literatura narrativa, com abordagem qualitativa, a partir da análise de produções científicas publicadas entre 2019 e 2025, em bases como SciELO e PePSIC. A investigação considera aspectos como sobrecarga parental, comunicação conjugal, estresse familiar e apoio social. Estudos indicam que a presença de uma criança neurodivergente pode intensificar conflitos conjugais em razão do aumento das demandas emocionais, financeiras e dos cuidados contínuos exigidos pela parentalidade atípica (Hartley et al., 2010; Hayes & Watson, 2013). Entretanto, a literatura também aponta que casais que desenvolvem estratégias adaptativas eficazes, como apoio mútuo, comunicação assertiva e divisão equilibrada de responsabilidades, tendem a fortalecer os vínculos afetivos e ampliar a resiliência conjugal (Machado et al., 2022). Além disso, o suporte psicológico e a rede de apoio social configuram-se como fatores fundamentais para a promoção do equilíbrio familiar e da qualidade das relações conjugais. O estudo busca contribuir para a compreensão da dinâmica familiar nesse contexto, oferecendo subsídios teóricos para intervenções psicológicas.