Abstract
A implementação da cultura maker no contexto escolar pressupõe não apenas a inserção de tecnologias e novos recursos, mas mudanças nas práticas pedagógicas e condições adequadas para sua apropriação pelos professores. Este estudo teve como objetivo analisar as mudanças nas práticas pedagógicas e os desafios relacionados à formação docente decorrentes da implementação da cultura maker em uma escola pública de Ensino Fundamental I. Trata-se de uma pesquisa qualitativa e descritiva, desenvolvida por meio de estudo de caso, tendo como principal fonte empírica as respostas de 22 professores a um questionário composto por perguntas abertas. Os dados foram submetidos à análise de conteúdo, com ênfase nas transformações das práticas pedagógicas e nos desafios relacionados à formação e ao suporte institucional. Os resultados evidenciaram que aproximadamente 80% a 85% dos docentes relataram mudanças positivas em suas práticas. Entre as principais transformações, destacaram-se a ampliação do uso de tecnologias digitais, mencionada por cerca de 55% a 65%, e a incorporação de atividades práticas, lúdicas e com materiais concretos, presente em aproximadamente 60% a 70% das respostas. Em contrapartida, entre 75% e 85% dos relatos indicaram ausência de preparação inicial adequada ou insuficiência de acompanhamento continuado, além de limitações relacionadas a equipamentos, manutenção, planejamento e domínio tecnológico. Conclui-se que a implementação da cultura maker ampliou as possibilidades metodológicas na instituição investigada, mas sua incorporação às práticas docentes ocorreu de forma heterogênea e esteve relacionada às condições de formação e suporte oferecidas aos professores. Os achados reforçam que a consolidação dessa abordagem requer formação continuada, planejamento, infraestrutura adequada e apoio institucional.