Abstract
A gestão agrícola familiar é uma temática amplamente estudada na Administração devido ao seu papel central no desenvolvimento socioeconômico brasileiro, especialmente no que se refere à segurança alimentar, à sustentabilidade ambiental e à reprodução social das comunidades rurais. Entretanto, parte significativa dos estudos sobre o tema tem priorizado abordagens técnico-produtivas e econômicas, relegando a segundo plano a influência dos aspectos culturais que estruturam as dinâmicas organizacionais dessas unidades produtivas, especialmente as relações de trabalho, reciprocidade e sustentabilidade. Nesse contexto, este estudo teve como objetivo analisar como a literatura trata a dimensão cultural e sua influência na gestão agrícola familiar, buscando compreender como esse elemento estrutura as relações familiares, de reciprocidade, de trabalho e de sustentabilidade. Para isso, realizou-se uma Revisão Sistemática da Literatura (RSL), de natureza qualitativa, com coleta de dados nas bases SciELO e Periódicos CAPES, seguida de análise de interpretativa dos estudos selecionados. Os resultados evidenciam que a dimensão cultural exerce papel central na organização da gestão da agricultura familiar, influenciando a divisão do trabalho, as práticas de cooperação e reciprocidade, bem como a construção de estratégias sustentáveis de produção e reprodução social. Observou-se que valores, saberes locais, tradições e formas simbólicas compartilhadas orientam práticas cotidianas que ultrapassam a lógica estritamente econômica, configurando a gestão agrícola familiar como um processo profundamente condicionado por elementos socioculturais. Desta forma, conclui-se que compreender a gestão agrícola familiar exige compreender a cultura como elemento estruturante da dinâmica organizacional dessas unidades produtivas, sendo necessária a ampliação de estudos que aprofundem a relação entre cultura e gestão no contexto rural