Abstract
A inclusão nas aulas de Educação Física dos anos iniciais exige superar abordagens centradas apenas na presença física, na adaptação pontual de tarefas ou na participação aparente dos estudantes. O estudo objetiva analisar, em perspectiva histórico-cultural, as relações entre organização do ensino, condições de participação e apropriação dos conhecimentos da cultura corporal, propondo uma matriz teórico-analítica para a compreensão de práticas pedagógicas inclusivas. Caracteriza-se como ensaio teórico de natureza bibliográfica e documental, fundamentado em produções sobre Educação Física escolar e cultura corporal, Teoria Histórico-Cultural, educação inclusiva, organização da atividade pedagógica e avaliação da aprendizagem, além de documentos legais e curriculares. A análise sustenta que diferenciar meios de participação não implica reduzir o objeto comum de conhecimento e que a participação, embora necessária, não constitui isoladamente evidência de aprendizagem. Como síntese, propõe-se uma matriz organizada em quatro eixos: organização do ensino; participação e mediação; relação com o objeto; e evidências de apropriação. Conclui-se que uma perspectiva inclusiva exige analisar como tarefas, regras, materiais, espaços, tempos, agrupamentos e mediações preservam o acesso aos conhecimentos da cultura corporal e favorecem transformações qualitativas na relação dos estudantes com esses conhecimentos.