Abstract
O atendimento imediato da criança criticamente enferma na sala vermelha pediátrica constitui um desafio assistencial dinâmico e de elevada complexidade, no qual o reconhecimento precoce da gravidade e a instituição oportuna de condutas determinam a redução da mortalidade e o prognóstico funcional. O objetivo deste trabalho foi revisar os fundamentos clínicos e organizacionais que regem a abordagem inicial da criança grave na sala vermelha pediátrica. Trata-se de uma revisão narrativa da literatura, com busca realizada em abril de 2026 nas bases PubMed/MEDLINE, SciELO e LILACS, além da consulta a diretrizes e documentos técnicos da American Heart Association (AHA 2025), World Health Organization (WHO/ETAT), Society of Critical Care Medicine (SSC 2026) e Ministério da Saúde do Brasil, priorizando publicações do período de 2016 a 2026. A literatura ratifica que a sistematização do atendimento — iniciada pela triagem rápida via Triângulo de Avaliação Pediátrica (TAP) e continuada pelo exame primário focado no protocolo ABCDE — é o pilar fundamental para estabilização de emergências respiratórias, choque, sepse, rebaixamento neurológico e parada cardiorrespiratória. Evidencia-se que a falência compensatória em pediatria costuma ser abrupta, tornando a reavaliação clínica seriada o parâmetro mais sensível para guiar a terapêutica. Ademais, os achados demonstram que a efetividade do cuidado biomédico é indissociável de fatores de sistema e segurança do paciente, tais como a disponibilidade de insumos e dispositivos dimensionados por faixa etária, a prevenção de erros de dosagem medicamentosa, a liderança definida, a comunicação em alça fechada e o treinamento continuado baseado em simulação realística. Conclui-se que a consolidação de uma assistência segura na sala vermelha pediátrica requer a integração harmoniosa entre raciocínio clínico sindrômico, adesão a protocolos atualizados e estruturação organizacional. Para a formação na residência médica, o domínio dessas competências técnicas e não técnicas é indispensável para promover o gerenciamento eficaz do paciente crítico e cultivar a cultura de segurança na urgência pediátrica.