Abstract
Este trabalho tem como objetivo apresentar como é construída a representação da mulher na obra A Casa dos Espíritos (1982), de Isabel Allende, com enfoque na força e na resistência feminina. O romance apresenta três gerações de mulheres: Clara, Blanca e Alba cujas trajetórias evidenciam o papel da mulher na preservação da memória familiar, na afirmação de identidade e na subversão das estruturas patriarcais e autoritárias, especialmente na forma como essas mulheres se relacionam com os personagens masculinos. A investigação parte do seguinte questionamento: de que modo a escritora Isabel Allende constrói formas de resistência simbólica e social ao patriarcado dentro da obra? Para isso, a pesquisa apresenta um viés qualitativo, descritivo-analítico, com análise literária, de documentação digital e bibliográfica. Fundamenta-se na reflexão da condição feminina e escrita como modo de libertação a partir de, Beauvoir (1967), Duarte (2009), no que concerne à submissão e opressão do sistema patriarcal contra a mulher em Bourdieu (1983) e Lerner (2019), sobre a presença da memória em Halbwachs (2006) entre outros. Busca-se, portanto, compreender de que modo Clara, Blanca e Alba contribuem para a desconstrução de práticas de dominação, coerção e submissão nas interações dessas personagens com as figuras masculinas, e como essas práticas evidenciam a força e a contraposição feminina. Os resultados apontam que a escrita feminina e a memória não emergem como expressões neutras, mas como instrumentos de subversão, denúncia e reflexão crítica sobre as relações de gênero, revelando a importância da obra como um espaço de denúncia social e de empoderamento feminino.