Abstract
O presente artigo analisa as contribuições de mitos de criação dos povos Ikólóéhj e Yorubá para a construção de práticas pedagógicas interculturais e decoloniais, considerando os processos de colonialidade e epistemicídio presentes na educação brasileira. O objetivo é identificar elementos dessas narrativas que possam ampliar os referenciais epistemológicos do currículo e problematizar concepções sobre conhecimento, humanidade, natureza, corpo, ancestralidade e coletividade. Trata-se de uma pesquisa qualitativo-descritiva, de natureza bibliográfica, baseada na análise de dois mitos Ikólóéhj e dois mitos Yorubá, por meio do Método de Interpretação de Sentidos (MIS). Os resultados evidenciam quatro núcleos de sentido: relações entre humanos, não humanos e natureza; corpo e diferença; ancestralidade, oralidade e transmissão de conhecimentos; e responsabilidade, coletividade e relações de saber. Conclui-se que essas narrativas podem contribuir para práticas pedagógicas decoloniais quando abordadas de forma contextualizada e crítica, preservando as especificidades de cada povo. Ao serem incluídas no trabalho pedagógico, podem favorecer a valorização da diversidade cultural e epistemológica, além de questionar hierarquias de conhecimento e contribuir para o enfrentamento do epistemicídio.