Abstract
Os Trabalhadores do comércio informal figuram entre os grupos mais vulneráveis às crises sanitárias, em razão da precariedade laboral, da exposição contínua ao público e da limitada cobertura das políticas de proteção social. Durante a pandemia de COVID-19, vendedores ambulantes que atuam em vias ferroviárias enfrentaram riscos ampliados de adoecimento, insegurança econômica e exclusão das estratégias institucionais de enfrentamento da crise. Este estudo teve como objetivo investigar as consequências da pandemia de COVID-19 sobre vendedores ambulantes que operam em vias ferroviárias, analisando mudanças nas práticas de trabalho, a adesão às medidas de saúde pública e os impactos socioeconômicos decorrentes. Trata-se de um estudo de abordagem qualitativa, realizado a partir de entrevistas semiestruturadas com vendedores ambulantes e observação de campo no ambiente ferroviário. O material empírico foi analisado por meio de análise temática, com foco na identificação de padrões de significado e categorias interpretativas relacionadas às experiências de trabalho e saúde. Os achados evidenciam elevada percepção de risco de adoecimento, exposição constante a aglomerações, adesão parcial às medidas de proteção individual e forte impacto do negacionismo sanitário no cotidiano laboral. A necessidade de manutenção da renda impôs a continuidade do trabalho, mesmo diante do risco à saúde, revelando limites das políticas públicas voltadas à proteção de trabalhadores informais. A pandemia aprofundou desigualdades estruturais já existentes, expondo a fragilidade das respostas institucionais frente à informalidade laboral. Recomenda-se o fortalecimento de políticas intersetoriais, com inclusão explícita de vendedores ambulantes nos planos de preparação e resposta a emergências sanitárias futuras.