Abstract
As inundações urbanas contemporâneas demandam a superação dos modelos tradicionais de engenharia hidráulica em face do adensamento dos eventos climáticos extremos. No Recife, município caracterizado por um sítio anfíbio e estuarino, o risco hidrológico associa-se diretamente ao processo histórico de urbanização por aterros e à segregação socioespacial. Este artigo analisa o papel dos parques urbanos como componentes estruturais de uma rede de infraestrutura verde orientada à mitigação de cheias. A partir de uma abordagem crítica, examinam-se as limitações físico-espaciais e político-institucionais de programas locais recentes, como o Programa Recife Cidade-Parque, confrontando as diretrizes de sustentabilidade com a realidade das periferias urbanas. Como contribuição prática derivada de pesquisa de mestrado profissional, apresenta-se o Manual de Adaptação de Parques Urbanos às Inundações (MAP-Recife) e sua respectiva minuta de Projeto de Lei. Tais instrumentos visam institucionalizar as Soluções Baseadas na Natureza (SbN) e salvaguardar a justiça climática na governança territorial da capital pernambucana.