Abstract
As doenças degenerativas da coluna vertebral constituem um conjunto heterogêneo de alterações estruturais e funcionais que acometem discos intervertebrais, articulações facetárias, corpos vertebrais, ligamentos, canal vertebral e estruturas neurais adjacentes. Embora sejam frequentemente associadas ao envelhecimento, essas condições não podem ser interpretadas apenas como consequência natural da idade, pois envolvem fatores genéticos, mecânicos, inflamatórios, metabólicos, ocupacionais e comportamentais. Este artigo tem como objetivo analisar, de modo crítico e aprofundado, as bases fisiopatológicas, as manifestações clínicas, os critérios diagnósticos e as possibilidades terapêuticas relacionadas às doenças degenerativas da coluna vertebral. Trata-se de revisão narrativa da literatura, fundamentada em artigos científicos indexados, revisões sistemáticas, estudos clássicos de imagem, diretrizes clínicas e documentos de organismos internacionais de saúde. A análise evidencia que a degeneração discal, a artrose facetária, a estenose espinal e a espondilolistese degenerativa devem ser avaliadas mediante correlação entre história clínica, exame físico, funcionalidade e achados de imagem. Estudos de Boden et al. (1990), Jensen et al. (1994) e Brinjikji et al. (2015) demonstram que alterações degenerativas podem estar presentes em indivíduos assintomáticos, o que exige prudência na interpretação radiológica. Conclui-se que o cuidado adequado depende de abordagem individualizada, educação em saúde, reabilitação, controle de fatores de risco, tratamento conservador bem conduzido e indicação cirúrgica criteriosa nos casos de déficit neurológico, compressão significativa ou incapacidade persistente.