Abstract
A Leishmaniose Tegumentar Americana (LTA) constitui um persistente problema de saúde pública em Pernambuco, apresentando dinâmica de transmissão complexa. O presente estudo teve como objetivo realizar uma revisão integrativa da literatura sobre o perfil epidemiológico, desafios clínicos e estratégias de controle da doença no estado. A pesquisa foi conduzida nas bases de dados PubMed, SciELO, Scopus e BVS, resultando na seleção e análise de 12 artigos científicos publicados entre 2016 e 2025. Os resultados evidenciam que Pernambuco mantém alta endemicidade, com concentração de casos na Zona da Mata e Agreste. Observou-se uma transição do padrão de transmissão, historicamente silvestre, para um ciclo periurbano e domiciliado, impulsionado pelo desmatamento e ocupação desordenada. A adaptação de vetores, como a Lutzomyia whitmani, a ambientes antropizados e a presença de infecção em animais domésticos confirmam a urbanização do ciclo zoonótico. Além disso, identificou-se uma significativa subnotificação de casos durante a pandemia de COVID-19. Conclui-se que as estratégias de controle devem ser reavaliadas sob a ótica da Saúde Única (One Health), integrando a vigilância humana, animal e ambiental para enfrentar a nova realidade ecoepidemiológica da doença.