Abstract
O envelhecimento envolve mudanças biológicas, psicológicas, sociais e ocupacionais que podem repercutir na autonomia, na participação social, nos vínculos e na organização do cotidiano. Experiências de luto, solidão, transformação dos papéis familiares e redefinição de projetos de vida podem exigir processos de adaptação e ressignificação. Este estudo teve como objetivo analisar como experiências de luto, solidão, amor, família, legado e engajamento ocupacional participam da construção de sentido nas histórias de vida de mulheres idosas, à luz da Logoterapia e da Terapia Ocupacional. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, exploratória, desenvolvida por meio de narrativas autobiográficas de cinco participantes da Universidade do Envelhecer, da Universidade de Brasília, selecionadas por conveniência. Os dados foram examinados segundo a análise de conteúdo e interpretados em diálogo com conceitos franklianos e terapêutico-ocupacionais. Os resultados indicaram que o cuidado com familiares, a participação comunitária, a religiosidade, as amizades, as atividades físicas, o artesanato, a leitura e a participação em projetos universitários constituíram fontes de sentido e continuidade da identidade. As narrativas também mostraram que o enfrentamento do luto e da solidão esteve relacionado à reconstrução de papéis, à reorganização da rotina e à manutenção de ocupações significativas. Conclui-se que a Logoterapia contribui para compreender a busca de sentido diante das perdas, enquanto a Terapia Ocupacional evidencia como essa busca se concretiza no cotidiano, por meio do fazer, dos vínculos e da participação social.