Abstract
Os cuidados paliativos pediátricos constituem uma abordagem interdisciplinar voltada à promoção da qualidade de vida e ao alívio do sofrimento de crianças com doenças graves e ameaçadoras da vida. Entretanto, sua implementação é permeada por conflitos éticos relacionados à tomada de decisão, à comunicação entre profissionais e familiares, à insegurança quanto aos aspectos ético-legais e à insuficiente capacitação profissional. Este estudo teve como objetivo analisar os principais conflitos éticos enfrentados pela equipe multiprofissional na tomada de decisão em cuidados paliativos pediátricos, com ênfase na comunicação, nos aspectos jurídico-legais, na participação familiar e na definição de condutas terapêuticas. Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, realizada nas bases SciELO, LILACS, PubMed e Scopus, contemplando artigos publicados entre 2010 e 2025, nos idiomas português, inglês e espanhol. A análise dos estudos evidenciou que a introdução tardia dos cuidados paliativos, as dificuldades de comunicação, a divergência de opiniões entre profissionais e familiares, o receio de implicações jurídicas e fatores culturais, religiosos e sociais constituem importantes barreiras à tomada de decisão compartilhada. Conclui-se que a capacitação em cuidados paliativos e bioética, o fortalecimento da comunicação e a atuação interdisciplinar são fundamentais para reduzir conflitos éticos e favorecer decisões proporcionais, humanizadas e centradas no melhor interesse da criança e de sua família.