Abstract
Acompanhamentos de egressos permitem avaliar resultados da formação médica para além do currículo formal, incluindo transição para a prática, escolhas de carreira e distribuição territorial da força de trabalho. Objetivou-se caracterizar o perfil sociodemográfico e profissional dos egressos do curso de Medicina da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), Campus Chapecó, e analisar suas percepções sobre a formação e a inserção profissional. Realizou-se estudo observacional, transversal e descritivo com médicos formados entre 2021 e 2025. Dos 184 egressos elegíveis, 74 participaram (40,2%). A média de idade foi 29 ± 4,7 anos, 52,7% eram mulheres e 90,5% residiam na Região Sul. No momento da pesquisa, 98,6% exerciam a medicina, 78,4% relataram não ter encontrado dificuldade para contratação e a mediana até o primeiro vínculo foi de 14 dias (1–120). Quanto à transição para a prática, 54,1% referiram necessidade de complementação formativa e 37,8% declararam-se seguros para atuação profissional. O currículo foi considerado adequado por 77,0%, porém 64,9% perceberam integração apenas parcial entre os componentes pré-clínicos e clínicos. Metade cursava ou havia concluído residência médica ou especialização e 23,0% atuavam como preceptores. Os achados mostram elevada inserção profissional e concentração regional dos egressos, simultaneamente a desafios na transição para a prática e na integração curricular, reforçando a importância de acompanhamento longitudinal.